Quando a ressonância vem "normal"
Boa parte das dores lombares e dorsais crônicas não aparece em nenhuma imagem — porque a origem é muscular e fascial, não estrutural. A ressonância enxerga disco, vértebra e nervo; não enxerga uma banda muscular tensa que dispara dor ao esforço.
O inverso também engana: achados como "abaulamento discal" são comuns em pessoas sem nenhuma dor. Tratar a imagem, e não a pessoa, é um dos erros mais frequentes na dor crônica.
Os padrões que sugerem dor miofascial
- Dor que piora com posições mantidas (longas horas sentado, dirigir) e melhora com movimento;
- Dor que o paciente localiza com a mão espalmada, não com a ponta do dedo;
- Pontos que reproduzem a dor quando pressionados, às vezes irradiando para nádega ou coxa;
- Ausência de sinais de alarme — perda de força, alteração de sensibilidade, febre ou emagrecimento.
O caminho do tratamento
Confirmada a origem miofascial, o plano combina desativação dos pontos-gatilho (agulhamento ou infiltração), fortalecimento progressivo do tronco e ajuste dos fatores que perpetuam a tensão muscular. Na maioria dos casos, sem cirurgia e sem opioides — com resultado duradouro quando o músculo é reeducado.
